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Confissões sobre Alcione, 'uma das maiores cantoras do mundo'

Alcione é ovacionada pelo público ao participar da estreia do show 'Infinito samba', de Diogo Nogueira Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio ♫ PRIMEIRA PESS...

Confissões sobre Alcione, 'uma das maiores cantoras do mundo'
Confissões sobre Alcione, 'uma das maiores cantoras do mundo' (Foto: Reprodução)

Alcione é ovacionada pelo público ao participar da estreia do show 'Infinito samba', de Diogo Nogueira Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio ♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR ♬ Fiquei feliz de rever Alcione na estreia nacional do show “Infinito samba”, de Diogo Nogueira, ontem, 1º de março. A cantora não estava na plateia da casa Vivo Rio para assistir à primeira apresentação da turnê que seguirá para São Paulo (SP) na sexta-feira, 6 de março. Convidada de Diogo, a cantora participou do show e foi ovacionada ao aparecer no palco da casa Vivo Rio para cantar “Sufoco” (Chico da Silva, 1977), um dos maiores sucessos da carreira, com o filho de João Nogueira (1941 – 2000). Embora com a mobilidade já reduzida, a Marrom – como Alcione é carinhosamente conhecida no meio musical – estava com a voz tinindo. E com fôlego. Soube até que, após a participação no show de Diogo, a cantora ainda foi dar pinta e canja no Sambay, a primeira roda de samba armada para a comunidade LGBTQIA+ na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A Marrom é uma das musas dos gays há décadas, sendo inclusive muito imitada pelas transformistas. Há quase 40 anos no exercício contínuo da crítica musical, eu já tive problemas com Alcione por conta de resenhas de discos e shows. Até ficamos anos sem nos falar depois que ela me descascou em público, no palco do Teatro Rival, em novembro de 1992, na estreia do show “Pulsa coração” (o motivo do desacato foi a resenha do álbum homônimo que eu publicara no jornal “O Globo”). Mas tudo isso sumiu na poeira da estrada porque faz parte do show... Nem sempre gosto dos repertórios dos discos de Alcione, por achar que tem muita música inferior à intérprete. A discografia dela está longe de ser irretocável dos anos 1990 para cá, mas sempre admirei a voz única, inimitável, dessa maranhense de personalidade forte como a voz. Sim, Alcione é “uma das maiores cantores do mundo”, como saudou Diogo Nogueira ontem à noite no palco da casa Vivo Rio. O fato é que Alcione já transcendeu questões de gosto. Aos 78 anos, a artista já personifica uma entidade e, como tal, vem sendo louvada a cada aparição pública. Ontem não foi diferente no palco da casa Vivo Rio e, vendo Alcione cantar com Diogo, eu me toquei de que, da tríade de cantoras que formavam o ABC do samba na década de 1970, ela se tornou a mais longeva. Clara Nunes (1942 – 1983), de quem Alcione sempre foi muito amiga, saiu precocemente de cena, aos 40 anos. Há sete anos, foi a vez de Beth Carvalho (1946 – 2019) enlutar o mundo do samba após uma década entre idas e vindas do hospital, deixando uma discografia, essa sim, irretocável. Alcione está aí, com a voz que, em 1975, foi apresentada como “a voz do samba” no título do primeiro álbum da cantora. A rigor, Alcione é a voz do samba, do bolero, da canção... Alcione canta de tudo porque é cantora diplomada na escola da noite e, além de saber tocar um instrumento (toca trompete), tem uma divisão que é somente dela. Como se o samba encontrasse o blues... Enfim, Alcione é Alcione. E isso já diz tudo. Uma das maiores cantoras do mundo.